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Mirobriga Celtici
Ruínas Romanas de Miróbriga
NOTA
IMPORTANTE:
No
intuito de ajudar a interpretar a estação arqueológica, o IPPAR
construiu um CENTRO INTERPRETATIVO de MIRÓBRIGA constituído por um
museu de sítio e espaços dedicados à investigação, como laboratórios
e espaços de trabalho, destinando-se também a receber os visitantes que
antes de iniciarem a "viagem" pelo mundo romano de Miróbriga,
receberão explicações prévias sobre o local.
Sobre a elevação mais
proeminente da Estação Arqueológica de Miróbriga surgiu um povoado
possìvelmente a partir do Séc.IV a.C. com uma população de origem
céltica.
O agregado comunitário foi depois fortificado e urbanizado e já
fabricava louça modelada à mão que revela correntes culturais daquele
século, mantendo importantes relações com outros centros
civilizacionais da península.
Nos séculos III e II a.C. usava cerâmica muito característica de
populações portadoras de uma cultura da Idade do Ferro "
último metal a ser utilizado pelo homem pré-histórico, já conhecido
3.000 anos a.C. na Mesopotâmia entre o rio Tigre e Eufrates onde se
desenvolveu a civilização caldaico-assíria; hoje é o Iraque" .
Nos séculos II e I a.C. acentuou-se o desenvolvimento de Miróbriga
(topónimo de origem céltica) e estabeleceram-se contactos comerciais
com numerosas cidades ibéricas e dessa relação comercial foram
recebidas ânforas ibero-púnicas e cerâmica pintada.
O comércio com a península itálica também foi significativo com cerâmica fina,
bronzes e denários de prata (moeda de Roma). Pertence a este período
uma boa parte das fíbulas "fivelas" recolhidas.
As ruínas são
conhecidas desde o Séc.XVI, quando foram referidas pelo Humanista
André de Resende, e inclusivamente teria inventado algumas inscrições
para Miróbriga, algumas das quais foram posteriormente consideradas
falsas.
Estação arqueológica estudada desde 1801 e 1808 confirmam
as conclusões que foi um importante centro económico social e religioso,
cultural e desportivo.
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Miróbriga
foi objecto de várias campanhas de escavação desde o séc.XIX
promovidas por Frei D. Manuel do Cenáculo, bispo de Beja e,
posteriormente arcebispo de Évora.
Entre 1922
e 1948 foram efectuados inúmeros trabalhos arqueológicos dirigidos
pelo investigador Dr.Cruz e Silva, natural de Santiago de Cacém, e pelo
Professor D.Fernando de Almeida.
Na década
de oitenta lançou-se um projecto de cooperação internacional
coordenado por arqueólogos das Universidades de Missuri-Colúmbia e
Arizona e de Portugal.
No decurso dos trabalhos foram estudadas várias zonas: forum,
termas, zona habitacional, hipódromo e fez-se um primeiro levantamento
topográfico de toda a área arqueológica.
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A Romanização
Terá sido no Séc.II a.C.
que os romanos chegaram a Miróbriga.
A romanização a partir do Séc. I "durante este século
dão-se vários acontecimentos importantes entre os romanos: como as guerras
civis, a queda da república e o começo do Império Romano sendo o seu 1º.Imperador César
Augusto
- podemos portanto afirmar que Octávio César Augusto foi o
primeiro Chefe de Estado, politicamente organizado, do
território onde hoje é Portugal"
veio alargar
consideravelmente o massivo desenvolvimento urbano com amplas
construções o povoado da Idade do Ferro. Ao longo das calçadas desenvolviam-se os
quarteirões onde se implantavam as áreas comerciais e habitacionais.
Algumas destas construções tinham água canalizada, como se pôde
verificar durante os trabalhos arqueológicos na "casa com
frescos" . Também ao longo das calçadas foram construídos
sistemas de esgotos como ainda se pode ver.
Atingindo tamanha importância,
Miróbriga desenvolveu-se, criando as estruturas municipais com a
existência de funcionários administrativos e de um Senado local, sendo
elevada à categoria de civitas e teria possuído magistri.
Roma notabilizou-a com o título de
Municipium Flavium Miróbriga desde o Séc.I até ao V d.C..
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Na zona mais elevada do
aglomerado urbano e sobrepondo-se à ocupação anterior, foi edificado um forum,
(Séc.I d.C.) de pequenas dimensões, se comparado com outros da Lusitânia. |

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Era a praça pública à volta da qual se implantavam os
edifícios que constituíam o centro monumental da vida
político-administrativa, comercial, religiosa e mundana da cidade.
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O forum
era dominado pelo templo a Esculápio dedicado ao
culto imperial, cuja fachada principal com propileu "
entrada monumental com colunas" era orientada para a
praça pública. |
"Na Mitologia Romana, Esculápio
era filho de Apolo, o deus da medicina, que não só curava os doentes
como ressuscitava os mortos.
Na gíria médica chama-se discípulo
de Esculápio a um médico"
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Terá sido assim,
em reconstituição, o templo a Esculápio.
(Séc.I
d.C.) |

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Ao lado deste
templo erguia-se um outro edifício religioso de planta absidial, ao
qual tem sido atribuído o culto à deusa Vénus "deusa da
beleza, nascida da espuma do mar na mitologia latina. É
representada muitas vezes saindo das ondas."
As Termas
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Para
servir a população e muito particularmente os peregrinos que
afluíam ao santuário, Miróbriga dispunha de umas termas bem
construídas, a partir do Séc.II d.C., e constituídas por dois edifícios que
se adossam, utilizando no revestimento das paredes os mármores e a decoração
de frescos. |
Este complexo de
estrutura dupla, contemplam zonas de banhos frios (frigidarium) zonas aquecidas
(tepidarium, caldarium) e a sala destinada a provocar a transpiração (o
laconium).
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Poderá
ter sido assim a Piscina.
As piscinas encontram-se forradas
por placas de mármore cinzento tal como o pavimento de algumas salas e uma
decoração com pinturas a fresco. |

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Uma conduta ou esgoto geral abobadado dividia-se em vários canais,
circundava todo o complexo termal e evacuava as águas das várias
piscinas que se fazia através de canos de chumbo que ainda se encontram
no sítio.
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Do
sistema de aquecimento fazem parte as fornalhas e canalizações
paralelas para condução de ar quente. |
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Os
pavimentos destes compartimentos e as próprias canalizações
eram suportados por arcos de tijolo que definem um espaço
interior (hipocausto) |
O Hipódromo
Os lugares de espectáculo, tais como os teatros, os anfiteatros e os
circos foram, nas províncias, uma das formas utilizadas para facilitar
o processo de Romanização, sendo os locais ideais para a expansão da
mística imperialista.
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A construção do hipódromo, que comportaria cerca de
25 000 espectadores, para assistir às terríveis corridas de carros, deve datar do Séc.II d.C.
e o auge da sua utilização terá correspondido ao Séc.III d.C..
Poderá ter sido
assim com este aspecto o hipódromo na cidade de Miróbriga.
Eventualmente,
atendendo a que Miróbriga se situava no seio de uma área de
grande riqueza agrícola e de criação de gado, o circo poderia
ser utilizado para treino de cavalos que seriam vendidos noutros
centros urbanos do Império. |
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Este
hipódromo é o único actualmente conhecido em Portugal.
Apesar do seu
péssimo estado de conservação conhecem-se as fundações da Spina "uma
vedação de baixa altura ao centro, que divide longitudinalmente o circo
em duas metades sem o atravessar na totalidade, e em torno da qual os
carros corriam" e os alicerces de vários compartimentos, que
seriam os Cárceres," locais reservados às cavalariças e
onde recolhiam os carros de corrida" donde saíam os carros de
corrida, tirados normalmente por dois (bigas) ou quatro cavalos (quadrigas)
.
Os resultados eram observados pelos juízes, que assistiam à corrida do
alto de uma tribuna.
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"em Património Arqueológico" do Site da Câmara Municipal de
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